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O que aprendemos com o 1º de Maio

Maurício Raupp
29/4/22

Por Mauricio Raupp Martins – AJS Advogados Associados

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Houve um tempo em que não havia direitos para os trabalhadores. Homens, mulheres e crianças trabalhavam em condições insalubres e perigosas, por mais de doze horas por dia, todos os dias da semana, durante toda a curta vida que lhes era destinada. Tudo isso em troca de pão e nada mais. Nasciam, adoeciam e morriam, mas antes geravam a riqueza de poucos.

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No dia 1º de maio de 1886, trabalhadores americanos fizeram uma paralisação. Lutavam pela redução da jornada, que era de 13 horas por dia, para oito horas diárias. Foram perseguidos, presos, e seus líderes mortos ou condenados ao exílio. O movimento parou, mas o pensamento, a luta e a organização dos trabalhadores não.

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O resultado da luta daqueles trabalhadores reverbera até hoje em nossos direitos: jornada de oito horas, domingos e feriados, férias, décimo terceiro, carteira de trabalho, previdência social, FGTS, entre outros.

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Você pode dizer que já conhece essa história, que todos os anos os sindicatos a recontam. Mas o que realmente aprendemos com ela?

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Aprendemos que aqueles que usufruem da riqueza gerada pelo nosso trabalho frequentemente atacam nossos direitos. A reforma trabalhista de 2017 (Governo Michel Temer) eliminou ou reduziu muitos direitos conquistados. O governo Bolsonaro, a cada dia, buscou novas formas de reduzir direitos. O discurso é sempre o mesmo: os direitos trabalhistas impedem a contratação de novos trabalhadores. Mas não é verdade: após a reforma trabalhista, os empregos diminuíram, e não aumentaram.

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Então, te pergunto novamente: o que aprendemos com a história do 1º de maio?

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Compreendemos que nossos direitos não são privilégios, mas a justa retribuição pelo trabalho que entregamos, pelo tempo de vida que deixamos de aproveitar com nossa família, nossos domingos e momentos de lazer, em favor de quem nos paga. Ou corremos o risco de entregar tudo isso – nossa vida, saúde e dignidade – em troca de apenas sobreviver. Para viver plenamente, é preciso vida digna, salário justo e direitos que permitam usufruir da vida.

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Nossos direitos devem ser protegidos e ampliados. A diferença entre o que entregamos e o que nos pagam é o lucro de alguns. O lucro de alguns não pode se basear na exploração dos trabalhadores. Por isso, a história deve ser contada todos os anos, e a cada ano devemos nos organizar para defender nossos direitos.

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– Loucura! – gritou o patrão

Não vês o que te dou eu?

– Mentira! – disse o operário

Não podes dar-me o que é meu.

(Vinicius de Moraes – O Operário em Construção)

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