Para Luiz Osório Galho, Caro Camarada:


Para Luiz Osório Galho
Caro Camarada,
Hoje estarias de aniversário. Já não estás por aqui e se estivesses, talvez, por igual, em tempos de pandemia, não pudéssemos nos abraçar. Total, a ti posso abraçar através do ar que respiro, no vento que sopra, no sol que nos ilumina. Por aqui já sabes o que passa. São tempos escuros, faz falta tua luz. Miro tua foto, recobro a coragem, tento pensar em que saídas apontarias. Trabalho e estudo mais, porque teu saber, coração e braços já não estão aqui, generosos e solidários. Busquei crescer. Creio ter crescido alguns metros de altura. É pouco, sempre será pouco e nunca o suficiente. Como medir a altura de alguém de quem não se pode falar no passado, senão no presente e futuro? De alguém que não para de crescer, que buscamos lá no fundo no momento de tomar uma decisão? Sinto que qualquer decisão, seja na vida ou na profissão, sempre seria melhor e mais justa se contigo fosse compartilhada, discutida, analisada de todos os ângulos, gerada no confronto de ideias, em princípios, sobretudo na velha e essencial máxima de que a Democracia resolve todas as questões. Caro Camarada, não se iluda com estas palavras no singular. Eu apenas as coloco no papel, mas quem as dita são o olhar e o agir de teus companheiros. Estás aqui e por aqui quedarás para que tenhamos luz e coragem para manter um sonho de vida e de luta por uma sociedade mais justa. Sei que estás bem, porque não pode haver outro destino para os justos e grandes como tu. Por ora é isso, meu camarada, nos falamos. Um abraço!
Por Maurício Raupp Martins


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